Muita gente quando decide trabalhar a sua espiritualidade passa a se sentir um ser iluminado e superior, de onde emana uma profunda sabedoria e energias positivas nas qual não podemos tocar com nossas mãozinhas sujas de pensamentos negativos, trevas e sombras.
Chovem pedidos de ajuda sobre como afastar inveja e energias pesadas emanadas pelas pessoas da convivência diária. Raiva? Rancor? Tristeza? São nomes desconhecidos em suas vidas cheias de luz. Qualquer dor ou sentimento lido como ruim é rapidamente afastado com um profundo medo de se contaminar... O amor e paz curam tudo, muitos dizem - enquanto ignoram todo o restante de suas emoções.
E vocês já se perguntaram o que querem esconder? Do que vocês tentam correr? A insistência em negar toda a negatividade costuma trazer consigo não apenas a necessidade de se mostrar alguém perfeito para os outros, mas também o medo de encarar as próprias sombras. Para muitas pessoas, a espiritualidade é sinônimo de se assumir um ser de luz e bem absoluto. É uma tentativa imatura e ingênua de negar a própria escuridão, aquela parte lá dentro da gente que dói. Acreditam que se fizerem bastante força para brilhar, então certamente a sombra sumirá.
Mas sinceramente, o que há de útil em sua iluminação se - teoricamente - tudo lá já está bem resolvido? De que adianta manter a luz acessa 24 horas por dia se os nossos monstros interiores só podem sair e serem pegos quando há escuridão? Nossas sombras são parte essencial do nosso ser e quando as escondemos debaixo do tapete elas tomam formas incrivelmente maiores e saem de lá mais cedo ou mais tarde.
Não ignorem suas trevas, não acreditem em quem pensa ser iluminado, não pensem que existe um caminho para a magia e o autoconhecimento que não passe pelas assustadoras florestas de suas mente. “Todo mundo carrega uma sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do indivíduo, mais escura e densa ela é." (Carl Jung)
