Sobre Freyja

Freyja é uma deusa bem particular e não se encaixa em um padrão arquétipo único. Ela é a deusa do amor, que percorreu o mundo incansavelmente em busca do seu marido desaparecido enquanto chorava lágrimas de ouro e âmbar. É a deusa da sensualidade e liberdade feminina que faz sexo sem compromisso sem pudor nenhum mas apenas quando ela quer assim. É a deusa da magia Seidr, conhecimento antiquíssimo que passou à Odin em troca de poder escolher para seus salões metade dos guerreiros mortos em batalha e, sendo assim, também é uma deusa da guerra e da morte. Além disso é a rainha das Valquírias e amante da beleza e riqueza. Freyja é uma deusa linda, sábia e decidida e eu definitivamente poderia falar dela por um longo textão... Mas o que eu quero dizer aqui é que embora ela seja uma deusa incrível do amor, sexo e autoestima, ela não é "só" isso.

Provavelmente sua história mais famosa é acerca do Brisingamen, um colar absurdamente lindo e pelo qual Freyja viajou até a terra dos anões para fazer a encomenda. Os anões aceitaram fazer o belo colar que a deusa pediu mas em troca exigiram que ela passasse uma noite de sexo com cada um deles. O que ela fez? Deu para os anões, é claro! E durante quatro dias seu colar foi forjado. O Brisingamen simboliza o poder, o desejo e a força de vontade de Freyja que atingem níveis muito além do sexual. Freyja não é uma deusa unicamente da fertilidade e sim da paixão avassaladora e decidida, do amor próprio que não se guarda e sim que se valoriza e usa isso a seu favor... Seu colar é um traje comum em ilustrações da mesma, juntamente com seu manto de penas de falcão que a permitia transformar-se em um pássaro e viajar entre os mundos da Yggdrasil quando ela não estava em sua carruagem puxada por felinos.

Outro ponto importante é que no panteão nórdico temos os Vanir (deuses mais antigos, cultuados na época anterior ao surgimento das guerras) e os Aesir que surgiram com o simbolismo de uma nova fase da sociedade. Da mesma forma que as pessoas entravam em atrito com essa transição, os deuses Vanir e Aesir viviam em guerra até que houve um acordo de paz em que três deuses Vanir foram entregues aos Aesir como troca - e Freyja foi uma dessas três divindades. Ela então nos ensina à enxergar o melhor que há em nós e jamais deixar que apaguem nosso brilho e a chama dos nossos desejos pois sabia do seu grande conhecimento mágico, poder de sedução e paixão pela vida e nunca ficou na sombra dos Aesir.

Termino aqui meu post dizendo que com tantas histórias e energias, cultua-la é uma deliciosa aventura! Trabalhar com Freyja é se descobrir apaixonada pelo seu corpo enquanto dança nua em frente ao espelho, é perceber que mesmo em meio à tantas formas de magia a que mais lhe atrai é a que acontece lá dentro, na sua mente e na sua alma. É notar que o amor e a guerra andam lado a lado e que mesmo sendo calma e carinhosa como um pequeno gato é possível brigar e lutar por quem e o que importam como um grande lince selvagem. Freyja nos mostra que não há nada de errado em ser uma mulher livre, que sabe o que quer e não mede esforços para conseguir o que deseja. Adaptável mas indomável, guerreira, sedutora e sábia. Tudo isso ao mesmo tempo! Hail Freyja, deusa que o que tem de bela também tem de forte e poderosa. Hail!
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