A Bruxa sou eu, a Bruxa é você


A bruxa não é a tal mulher totalmente livre e destemida, com sabedoria superior e extremamente bem resolvida que muitos textos insistem em dizer. A bruxa é a adolescente com anotações escondidas no final do caderno escolar e que carrega uma ametista pequena no fundo da mochila. A bruxa é aquela senhora que em uma tarde de conversa e chás de combinações misteriosas faz todas as energias pesadas desaparecerem. A bruxa é a moça com dedos queimados de vela, manchas de cera no celular e cheiro de alecrim pelo cabelo. A bruxa sou eu, a bruxa é você.

Muitas páginas do facebook, blogs e até mesmo livros retratam a vida real da bruxa como um filme hollywoodiano. Alguns colocam a magia como a solução de todos os problemas... A bruxa possui uma intuição afiada e infalível, uma vingança certeira e um requinte acima de qualquer humano "comum". Já outros relatam a prática da Arte como um conto de fadas. A bruxa tudo transmuta, seu bem à tudo cura. Nos colocam - e muitas vezes nos colocamos - em um patamar surreal. Gostamos do glamour e da postura decidida que a bruxa das histórias de ficção possui e pegamos um pouco dele emprestado para nos inspirar e até mesmo imitar, porém - embora não tenha nada de errado nessa brincadeira - precisamos manter os pés no chão e a mente na terra. A bruxa da vida real é humana. Ela acerta mas também erra, tem sua rotina, seu trabalho e sua beleza, assim como todas as outras pessoas. 

Parece meio chato? Sim. É uma reclamação sobre ser bruxa? Não! O que eu quero dizer é que a bruxaria tem sim o seu encanto, mas não tem porque florear uma vivência que é tão humana e visceral quanto qualquer outra. Nossa beleza está no autoconhecimento, na capacidade de nos enxergarmos e moldarmos através do dia a dia. Somos seres individuais desse mundão e a nossa diferença é apenas a vontade que reside em cada momento que optamos pelo caminho da magia no lugar de qualquer outro. A bruxa é cada uma de nós, humanas de carne e osso... Cheias de erros, mágoas e defeitos. E hoje eu honro aqui, como bruxa, a simplicidade que há em mim.

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